Amsterdam. Foto A.A.Bispo 2012. Copyright. Arq. A.B.E.
Os trabalhos relacionados com os Países Baixos da Academia Brasil-Europa tiveram o seu início quando da fundação, em 1968, da entidade que consistui a atual organização Brasil-Europa. O objetivo foi o de desenvolver os estudos respectivos em correspondência ás tendências de renovação dos estudos culturais. Constatando-se que os estudos da presença holandesa no Brasil eram sobretudo de natureza histórica, sendo pouco considerada no âmbito dos estudos de expressões culturais, indagou-se se um outro tipo de abordagem, dirigindo a atenção a processos, não poderia suprir essa deficiência, relacionando o estudo histórico àquele de orientação empírica.


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Em 1970 e 1971 realizaram-se viagens de contatos e estudos ao Nordeste do Brasil. Procurou-se ganhar impressões in loco para o desenvolvimento de estudos relativos à presença holandesa na região no século XVII e suas consequências. O escopo foi o de procurar caminhos que permitissem novos conhecimentos ou aproximações quanto ao legado holandês ou a processos culturais por êles desencadeados. Os trabalhos foram orientados, entre outros, por Theo Brandão, em Alagoas e J. Alves Diniz, em Pernambuco.


Um dos aspectos particularmente considerados foi o da economia do açúcar, o sistema de trabalho escravo nela vigente e as expressões culturais com ela relacionadas. Levantou-se a necessidade de perspectivas mais amplas, supraregionais e supracontinentais no estudo desse complexo temático, com a consideração da presença holandesa na costa da África e em outras partes do mundo. Essa inserção da problemática em contextos maiores exigia a consideração de situações políticas, político-culturais e religiosas na própria Europa.


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Foi nesse sentido que decorreram as primeiras viagens de estudos aos Países Baixos, a partir de 1975, quando foram consultados arquivos, bibliotecas e museus. Uma particular atenção foi dada ao museu judaico em Amsterdam, pelo seu patrimônio cultural judaico-português, e ao museu de etnologia de Leiden.


Nos anos seguintes, desenvolveram-se contatos com estudiosos holandeses de outras áreas. Assim, no simpósio internacional realizado em São Paulo, em 1981, os Países Baixos estiveram representados por especialistas das áreas de musicologia da época da presença holandesa no Brasil e da educação. Os trabalhos desenvolvidos nos Países Baixos evidenciou a problemática confessional do país e a necessidade de uma consideração mais profunda de questões religiosas nos estudos relativos à época do Nordeste holandês.


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A cooperação desses pesquisadores com o Brasil possibilitou, de forma recíproca, execuções de obras musicais do período colonial brasileiro nos Países Baixos, acompanhadas das devidas elucidações. Especialistas holandeses estiveram também presentes em outros eventos dedicados a temas culturais brasileiros, entre êles no Congresso Internacional realizado no Rio de Janeiro, em 1992. Um dos temas particularmente considerados foi o da prática de execução, sobretudo de obras polifônicas, sendo debatida a questão da interpretação adequada culturalmente, ou seja, o da contextualização de critérios de execução histórica a partir de conhecimentos ganhos através da pesquisa cultural empírica.


Para o exame de situações mais recentes da presença holandesa nas Américas, com o sentido de procurar conhecimentos aplicáveis ao Brasil, realizaram-se viagens de contato pesquisas a países de colonização holandesa no Caribe. Desenvolveram-se projetos em sessões realizadas nos departamentos de cultura de Aruba e no de Curaçao. Nessa última ilha, deu-se também particular atenção a estudos comparados do carnaval em diferentes situações confessionais e, sobretudo, ao papel desempenhado pelos judeus portugueses nas Américas.


A ação holandesa no contexto da história colonial em dimensões globais foi considerada em ciclo de estudos desenvolvido em Maurício e em Cochim, Índia. Em 2012, a atenção foi dirigida, entre outros aspectos, a elos entre a vida musical da esfera holandesa de Batávia e a colonia portuguesa de Macau no século XIX, com as suas implicações posteriores nos Países Baixos.


Nesse mesmo ano, realizou-se ciclo de estudos em Amsterdam, onde a Sinagoga Portuguesa foi novamente visitada e ponto de partida para a continuidade dos trabalhos referentes aos judeus lusófonos na história cultural dos Países Baixos e de suas irradiações na história colonial do passado no continente americano e na Índia. Principal centro das atenções foi o pensamento do filósofo Baruch/Bento de Espinosa (1632-1677) sob o aspecto de concepções de Liberdade nas suas relações com o Estado. Esses estudos inseriram-se em programa de estudos conduzidos sob o signo das preocupações atuais pela intensificação de tendências obscurantistas de natureza religiosa e que levou à realização de trabalhos em diferentes contextos e países.


Em maio de 2013, os estudos desenvolvidos nos Países Baixos concentraram-se na província de Zeeland.



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Materiais
Apenas os disponíveis nos sites da A.B.E.

(em elaboração)


  1. São Paulo-Roermond(Países Baixos)-Leichlingen. Canto Gregoriano, Cultura Brasileira e Ensino - Pesquisa, Formação Musical e Métodos. Dimensões internacionais da recepção gregoriana no Brasil

  2. A prática polifônica a cappella entre seu significado musicológico, prático-musicale a sua função no culto. Irradiações de meditação musical no tombamento das igrejas de São Francisco em São Paulo (1981)

  3. A questão das equiparações de escolas de formação artística à Universidade. Uma circular a universidades e conservatórios europeus

  4. A sinagoga portuguesa de Amsterdam como monumento da liberdade de de-conversão e o papel de imagens: o modêlo do Templo de Salomão do rabino português Jacob Judah Leon (1602-1675)

  5. "O objetivo do Estado é a Liberdade" segundo Baruch/Bento de Espinosa (1632-1677)

  6. A Natureza é perfeita e divina tal como é. Liberdade, cultura de afetos e alegria na condução da vida segundo Bento de Espinosa

  7. A irmandade "Árvore da Vida" (Ets Haim) da sinagoga portuguesa de Amsterdam e sua biblioteca. Procura de saber, ensino e esclarecimento em processos culturais de judeus lusófonos: Felix Libertate!

  8. Emmarentia Anna Peter Van der Hoeven (1836-1865): o cultivo da música na tradição da burguesia comercial de Rotterdam em Batavia nas suas repercussões na China em época de revitalização do comércio das Índias Orientais Holandesas

  9. Holandeses no Nordeste do Brasil e em Cochim: monumentos indo-holandeses e imagens de cidades e trajes nos Países Baixos do século XVII

  10. Judeus no Malabar em suas inserções em processos histórico-culturais desencadeados pelos portugueses - brancos, pretos e marrons

  11. Huis Doorn. Significado e problemas dos estudos guilherminos em contextos euro-brasileiros

  12. Rêdes sociais na história político-cultural. Vínculos entre casas reinantes. Waldeck-Pyrmont e Países Baixos

  13. Relações Países-Baixos-Alemanha na história intereuropéia da cultura e das artes e suas repercussões para os estudos de Johann Moritz von Nassau

  14. Relações interregionais européias, exotismo e simbolismo no século XIX

  15. Relações interculturais na Europa e repercussões do colonialismo no século XIX

  16. Carnaval no Brasil e no Caribe. Ordem simbólica em contextos de diferentes confissões. Museu do Carnaval de Curaçao

  17. Atividades culturais e de preservação do patrimônio intercultural em Aruba.

  18. Fronteiras e interações européias no mundo colonial. Patrimônio intercultural e museologia.

  19. Documentação e museologia da música nas relações interculturais latino-holandesas.

  20. Economia e cultura na emigração dos Países Baixos ao Brasil. O fator confessional

  21. Memória e museologia de judeus portugueses no Caribe. Museu da sinagoga de Curaçao






 

BRASIL-EUROPA
www.brasil-europa.eu

Organização de estudos de processos culturais em relações internacionais (registrada 1968)
Academia Brasil-Europa

Direção: Prof. Dr. Antonio Alexandre Bispo

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ESTUDOS CULTURAIS EUROBRASILEIROS RELACIONADOS COM OS

PAÍSES BAIXOS

 



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