Noruega. BRASIL-EUROPA: Estudos interculturais. A.A.Bispo (ed.)

Noruega. BRASIL-EUROPA: Estudos interculturais. A.A.Bispo (ed.)


Pressuposto para o desenvolvimento promissor desses estudos é que sejam conduzidos sob uma perspectiva ampla, de natureza teórico-cultural, que atente a correntes de pensamento e a processos histórico-culturais transnacionais. Trata-se, assim, antes de exames de encontros de tendências e concretizações contextualizadas de formas de pensar, de caminhos de reflexão e de expressões culturais, para além de constatações mais superficiais de elos históricos e de contatos histórico-culturais mais explícitos.
O Brasil une-se à Noruega, nesse sentido, de forma muito mais intensa do que se poderia inicialmente supor. Esse interrelacionamento manifesta-se de forma privilegiada sob uma perspectiva dirigida à música. Tal constatação poderia parecer inicialmente singular, uma vez que uma visão mais superficial da música conotada como brasileira pouca similaridade demonstra com a música da Noruega. Se considerar-se porém uma fase mais remota de um desenvolvimento histórico-musical marcado pela conscientização do valor do patrimônio representado pela tradição popular, então constatam-se paralelos e elos nos desenvolvimentos e mesmo vínculos humanos e estéticos.
Assim, o compositor cearense Alberto Nepomuceno (1864-1920), vulto exponente da história da música brasileira, casando-se em 1893 com a pianista norueguesa Walborg Bang, discípula de E. Grieg (1843-1907), frequentou a casa deste principal compositor da Noruega, realizou estudos em órgão nesse país e de lá trouxe para o Brasil impulsos para a prática musical, o ensino e a organização da vida musical. Contribuiu ao desenvolvimento estético da criação musical, à pesquisa da música de tradições populares e ao ideal de formação de um patrimônio sonoro a serviço de uma identidade nacional.
A Academia Brasil-Europa, devido a seu histórico, não se limita nos seus estudos voltados à Noruega a esses paralelos e elos de expressões e concepções nacionais ainda resultados de um Romantismo tardio.
Quando, em 1919, estruturou-se, em Salzburg, Áustria, uma academia constituída por estudantes e professores do Mozarteum preocupados com a renovação cultural européia após a Primeira Guerra Mundial, cujos membros emigrariam em parte para o Brasil, a preocupação de seus componentes era mais dirigida a uma transformação profunda de visões, a uma reconscientização de valores humanos para além de configurações históricas de nações.
Contato com o mundo norueguês processou-se sobretudo através de Edvard Munch (1863-1944). O fundamental interesse que também aqui havia pelo estudo das expressões culturais populares diferenciava-se daquele de outras correntes provenientes de um interesse pelo folclore, de tradição sobretudo literária.

A orientação a questões de difusão cultural, a processos, ao estudo de seus mecanismos e sentidos, para além das delimitações disciplinares de esferas ou áreas da cultura dirigiu a atenção à Noruega anterior e posterior a Grieg e ao Brasil anterior e posterior a Nepomuceno.
Nessa intenção, realizaram-se, em 1982, após uma primeira viagem para primeiros contatos em 1976, esforços mais amplos de estudos e observações dos múltiplos aspectos da cultura norueguesa em várias cidades do país, entre elas Bergen, Trondheim e Stavanger. Esse empreendimento baseou-se em estudos que procuraram considerar o papel desempenhado pelos povos da Noruega na história das navegações, dos descobrimentos e das relações com o continente americano, uma vez que o alcançaram em tempos remotos.
A Noruega se manifestou nesses trabalhos no seu transcendente significado para os estudos histórico-culturais nórdicos, não apenas no referente a um edifício de concepções do mundo e do homem orientadas segundo o Norte, uma norteação que também perpassa a linguagem simbólica de expressões culturais conhecidas no Brasil. A relevância da Noruega se manifestou também relativamente à história da transformação cultural causada pela cristianização dao norte da Europa. Os monumentos da arquitetura religiosa da Noruega adquirem, assim, extraordinário interesse para uma história das artes de orientação cultural.
As reflexões dos próprios pensadores do país quanto às formas de relacionamento com esses fundamentos de edifícios de concepções, com o seu patrimônio cultural e com as correntes de pensamento recebidas de outras culturas surgem como de particular relevância para o desenvolvimento dos estudos culturais em geral.
Com o sentido de atualização dos conhecimentos e revitalização dos contatos, ecom a colaboração da Biblioteca Nacional de Oslo, que possibilitou uma visão geral dos materiais relativos ao Brasil ali conservados, realizou-se, em 2003, uma nova viagem da A.B.E. para observações e estudos. O escopo desse empreendimento foi sobretudo o de examinar as consequências para o país das transformações políticas e político-culturais da Europa nos últimos anos e, sobretudo, das correntes imigratórias e de desenvolvimentos multiculturais.
Materiais
Apenas os disponíveis nos sites da A.B.E.
(em elaboração)
Brasileiros residentes na Noruega, norueguêses residentes no Brasil, brasileiros com familiares da Noruega, norueguêses com parentes brasileiros e estudiosos em geral, cooperem com os seus conhecimentos e a sua experiência ao trabalho idealista da A.B.E.!
Ficaríamos gratos se entrassem em contato conosco: Contato.
BRASIL-EUROPA
www.brasil-europa.eu
Organização de estudos teóricos de processos interculturais e estudos culturais nas relações internacionais (registrada 1968)
Academia Brasil-Europa de Ciência da Cultura e da Ciência (Estudos Culturais e Sociologia da Ciência)
Direção-geral: Prof. Dr. Antonio Alexandre Bispo

ESTUDOS INTERCULTURAIS RELACIONADOS COM A
NORUEGA




Fotos H. Hülskath. © Oslo