Berna. Foto A.A.Bispo. Copyright. Arquivo A.B.E.
Os trabalhos da Academia Brasil-Europa relacionados com a Suíça receberam os seus primeiros impulsos através de Ernst Widmer (1927-1990), professor de origem suíça da Universidade Federal da Bahia, compositor e estudioso de assuntos culturais.


Participando, a partir de 1967 intensamente dos trabalhos preparatórios para a fundação da entidade que constitui hoje a organização Brasil-Europa, voltada à renovação de perspectivas e à atualização de conceitos e métodos nos estudos culturais, contribuiu para o debate relativo a questões de difusão cultural que caracterizou essa fase da instituição.


Unia, no seu pensamento, interesse por questões sociológicas e de comunicação àquele pelas correntes atuais da estética e da criação artística, da Educação e, sobretudo, a uma preocupação pelo desenvolvimento integral do homem a partir de concepções marcadas pela inquirição espiritual.


Vinha de encontro, assim, na sua orientação, às tendências que marcaram o histórico da organização nos anos que se seguiram à Primeira Guerra. Surgia como personalidade ideal nos esforços de renovação teórica e de revitalização da academia. Vinha de encontro, também, com preocupações por questões culturais brasileiras então despertadas em meios antroposóficos de São Paulo.

Após vários encontros efetuados no âmbito dos festivais internacionais de Curitiba, os trabalhos tiveram continuidade em Salvador nos anos que se seguiram à fundação da entidade. Para possibilitá-los, foram realizadas viagens apoiadas por diferentes instituições de nível superior e sociedades de pesquisa, entre elas pela Associação Brasileira de Folclore.


Correspondentemente ao interesse que E. Widmer voltava ao estudo das expressões tradicionais da cultura brasileira, interpretando-as também sob o aspecto de aproximações simbólicas, os pesquisadores brasileiros passaram a interessar-se pelos pressupostos de seu pensamento, ou seja, pela cultura suíça.


Berna. Foto A.A.Bispo. Copyright. Arquivo A.B.E.
A atenção dirigiu-se aqui também às relações culturais da Suíça com o Brasil, em particular à presença de suíços na história cultural do país. Em trabalhos desenvolvidos em Nova Friburgo, em 1972, deu-se início aos estudos da imigração e colonização suíça no Brasil segundo as novas perspectivas teóricas em desenvolvimento nos estudos culturais, dirigidas ao exame de processos difusivos e que procuravam relacionar aproximações históricas e procedimentos empíricos da pequisa. Em 1973, no âmbito de curso superior dedicado à história da evolução cultural de São Paulo, realizou-se uma sessão dedicada a nomes suíços na história da pesquisa científica e da litertura de viagens no Brasil.

A partir de 1975, passou-se a realizar trabalhos em diferentes cidades da Suíça. Em visitas a bibliotecas do país, procurou-se levantar fontes relativas ao Brasil. Um dos objetivos foi primeiramente o de constatar o estado dos conhecimentos, de cooperações e intercâmbios. Estabeleceram-se elos com professores de universidades do país e com pesquisadores. Em 1976, procurou-se considerar os elos entre R. Wagner e o Brasil, e que seria então tratados em Bayreuth por ocasião do centenário da Casa de Festivais.


Uma especial menção deve ser feita a contatos estabelecidos com pesquisadores vinculados a instituições eclesiásticas, em particular das históricas abadias de St. Gallen e Einsiedeln. Deu-se continuidade, aqui, a estudos de paleografia então em desenvolvimento no Brasil, orientados por Eleanor Dewey.


Os trabalhos foram acompanhados por estudos da arte visual da Idade Média, em particular de iluminuras, orientados por professores da universidade de Colonia. O objetivo desses estudos foi o de procurar elementos históricos para a compreensão da linguagem simbólica de expressões culturais ainda vigentes no Brasil.


Outro aspecto que deve ser mencionado dos contatos com pesquisadores suíços disse respeito à pesquisa hinológica, ou seja a do estudos dos caminhos da difusão, da recepção e da adaptação de cantos comunitários católicos e evangélicos no Brasil. Sendo suíço o diretor de um projeto internacional hinológico, os trabalhos referentes ao Brasil nessa área - efetuados pela primeira vez em colóquios organizados pela A.B.E. - foram marcados pela sua atuação.


Em ciclos de estudos realizados em diferentes cidades da Suíça nas décadas de 80 e 90, foram tratados complexos temáticos referentes não apenas a estudos musicológicos, mas sim também relativos à história das artes em geral e da arquitetura, sempre porém sob a focalização teórico-cultural voltada às relações com o Brasil.


Uma particular atenção foi dada também ao Goetheanum de Dornach, devido a seu significado nos primórdios da organização e à relevância da Antroposofia nos meios de língua alemã no Brasil. Essas visitas foram acompanhadas por reflexões acerca da relação entre conceitos de natureza universal em edifícios de concepções e sua concretização em diferentes contextos culturais. Tais questões, referentes a teorias do Conhecimento e da Gnose, consideradas sob a perspectiva teórico-cultural, constituem uma preocupação constate da A.B.E., fato derivado de sua própria história.


Os estudos interculturais relativos à Suíça foram desenvolvidos também sob a perspectiva do interrelacionamento das diferentes esferas culturais, religiosas e de idiomas que caracterizam o país. Procurou-se, em circuítos de estudos, tratar de questões relativas às relações com a França, com a Alemanha e com a Itália, dando-se uma particular atenção a problemas da Reforma protestante e suas repercussões no Brasil, às consequentes reações contra-reformatórias, aos elos histórico-culturais com a Alsácia e aos judeus, também sob a perspectiva de sua relevância para os estudos euro-brasileiros.


Em 2012 realizaram-se novos estudos em Zürich e Basel no contexto de preparativos para os trabalhos relativos aos fundamentos de processos culturais entre as esferas do Mediterrâneo e do Atlântico.





Materiais
Apenas os disponíveis nos sites da A.B.E.

(em elaboração)

  1. Vendo o Rio de bonde na literatura de viagens e nas imagens do Brasil - Ernst von Hesse-Wartegg (1854-1918), Wilhelm Ule (1861-1940) e outros

  2. „A metamorfose do Rio de Janeiro“ pelo Vice-Consul do Brasil em Antuérpia no Congresso Internacional de Geografia de Genebra no Centenário da Abertura dos Portos (1908)

  3. Os teuto-brasileiros, a imagem do Rio e a Primeira Guerra Mundial. „Brasil: um país do Futuro“ revisto em 1919

  4. A questão das equiparações de escolas de formação artística à Universidade. Uma circular a universidades e conservatórios europeus

  5. O fascínio da viagem à terra do Norte como fenômeno internacional e elos da pesquisa nórdica com a história científica do Brasil. August Christoph Carl Vogt (1817-1895) e Louis Agassiz (1807-1873)

  6. Música tradicional como patrimônio cultural. Da Etnomusicologia a uma musicologia de orientação teórico-cultural: consequências para a discussão patrimonial. Revendo concepções de Constantin Brăiloiu (1893-1958)

  7. O "problema colonial" e a Liga das Nações - conjecturas de um mandato alemão em Angola e Moçambique e da criação de um estado judeu em Angola, redistribuições e permutas

  8. O Brasil nas coleções do Peabody Museum de Harvard: Louis Agassiz (1807-1873). Questões de continuidade à luz da exposição "Storied Walls"

  9. "Saudades do Brasil" no contexto da moderna música européia dos anos 20

  10. Ernst Widmer

  11. Pensamento teórico-cultural de Ernst Widmer

  12. Teoria da cognição, ontogenese e história. Epistemologia genética sob a perspectiva dos estudos euro-brasileiros

  13. Nomes da história intercultural suíço-brasileira: Louis Agassiz

  14. Goetheanum, Dornach. Antroposofia e estudos transatlânticos

  15. Estudos de Arlesheim. Significado de Arlesheim como sede do Capítulo da catedral da Basiléia desde o século XVII na história religiosa e eclesiástica da Reforma e Contra-Reforma em contextos globais

  16. Estudos na Basiléia 1. Tradições pré-reformatórias na cultura protestante, música antiga e identidade

  17. Estudos da Basiléia 2. Linguagem simbólica medieval na arquitetura de igrejas reformadas

  18. Estudos da Basileia 3. Fundamentos do Grotesco nos processos culturais transatlânticos e interamericanos.

  19. Estudos de Delémont. Ecologia e Cultura nas relações franco-alemãs em contextos brasileiros

  20. Estudos em Dornach. Movimentos internos e externos. Questões epistemológicas e histórico-culturais da pesquisa da Gnose em contextos globais

  21. Estudos de Montreux. Cultura francesa e franco-brasileira na Suíça.

  22. Estudos de Neuchatêl. História dos correios e da comunicação postal sob a perspectiva dos estudos interculturais

  23. Estudos de Genebra. Significado de Genebra para a história das relações culturais internacionais, para a história dos ideais de congraçamento dos povos e para a história das organizações mundiais

  24. Obras pouco conhecidas da literatura suíça de interesse para o Brasil. W. Müller - Carnaval em "A bela América do Sul" (1928)

  25. Puerto Montt e Puerto Vara. Suíça Chileno-Argentina: 80 anos de "A Bela América do Sul", do Dr. Wilhelm Müller

  26. Obras pouco conhecidas da literatura suíça de interesse para o Brasil. F. Moeschlin - Referências na obra suiça "Eu procuro terras no Sul do Brasil" (1936)

  27. Tensões franco-alemãs na identidade alsaciana e suas interferências no Pensamento, nos Estudos das Religiões e do Espiritualismo. Édouard Schuré (1841-1929) e sua recepção no Brasil

  28. Prática de execução histórica - Ensemble Turicum

  29. Louis Agassiz. Paleontologia e cultura: subsídios para discussão

  30. 68: Orquestra Sinfônica de Amadores e Orquestra Universitária de Concertos. Leon Kaniefsky

  31. Judeus da Alsácia e imigrantes alsacianos na vida cultural do Brasil e da Argentina. Valse des Alliées do brasileiro Louis Henri (Levy) (1861-1935)

  32. Berna/Paris. Contextos internacionais de propaganda político-cultural. Filosofia da História, Catolicismo e Política cultural do Salazarismo: Gonzague de Reynold (1880-1970





 



Fotos H. Hülskath © Basiléia. Arquivo A.B.E.

 

BRASIL-EUROPA
www.brasil-europa.eu

Organização de estudos de processos culturais em relações internacionais (registrada 1968)
Academia Brasil-Europa

Direção: Prof. Dr. Antonio Alexandre Bispo

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