Chipre. BRASIL-EUROPA: Estudos interculturais. A.A.Bispo (ed.)

Chipre. BRASIL-EUROPA: Estudos interculturais. A.A.Bispo (ed.)


O primeiro complexo temático é de relevância para os estudos culturais conduzidos sob a perspectiva do Brasil devido à necessidade de pesquisas dos fundamentos de edifícios de imagens e concepções ainda vigentes em expressões culturais de cunho sincretístico no Brasil. Esses estudos vêm sendo desenvolvidos desde fins da década de sessenta pela entidade que consistui hoje a organização Brasil-Europa segundo princípios que se diferenciam daqueles que fundamentam interpretações convencionais que se encontram em publicações relativas ao folclore e a determinadas formas tradicionais de culto e de expressões lúdicas.
Partindo da existência de uma lógica e coerência das harmonizações sincretísticas, a instituição vem-se dedicando ao estudo sistemático dos mecanismos que as elucidam e da ordenação imagológica do edifício de concepções.
No estudo dos fundamentos desse sistema e do sincretismo da Antiguidade tardia, a ilha de Chipre desempenha importante papel. Tendo a sua imagem e o seu nome marcados pela sua riqueza em cobre (cuprum), a ilha de Chipre foi, na Antiguidade, estreitamente relacionada com o mito de Aphrodite (Venus). Em tradição já testemunhada por Hesíodo, foi aqui que essa divindade surgiu das espumas do mar.
As concepções que se relacionam com Aphrodite desempenham importante papel no edifício mitológico da Antiguidade, nas suas diferentes formas de expressão, na antiga Gnosis, na tradição hermética e, em interpretação cristã, nas concepções antropológicas da Idade Média. Em vários eventos, considerou-se a sua vigência em tradições brasileiras marcadas pelo sincretismo, em particular no Colóquio Internacional dedicado às Tradições Religiosas do Brasil e Sincretismo, levado a efeito em 1989, e no Colóquio Internacional de Antropologia Simbólica, realizado em São Paulo, em 1998, e por ocasião da sessão dedicada à linguagem de imagens e ao sincretismo religioso do Congresso Música e Visões de abertura do triênio comemorativo dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, em 1999.
O significado de concepções vinculadas a Aphrodite para a Estética - e para o homem no assim-chamado estado estético - foi discutido em seminários dedicados à Estética e à Ética no âmbito dos estudos interculturais realizados conjuntamente com universidades européias.
Para o estudo in loco desses complexos de questões relacionados com Chipre, a Academia Brasil-Europa promoveu, em 1995, uma visita a Chipre. Visitou-se Paphos, junto ao local onde Aphrodite teria surgido do mar e local de um dos mais importantes templos da divindade na Antiguidade (Aphrodite Paphia). Os estudos incluiram a partir das concepções relacionadas com Aphrodite considerações sobre outras imagens da antiga mitologia, sobretudo a de Apolo,no caso das de Apollo Hylates, o Apolo das florestas. Essas reflexões foram encetadas nas ruínas de Kourion. Também Apolo foi considerado nos seus elos com expressões tradicionais conhecidas no Brasil e concepções relacionadas com a cognição discutidas em seminários de natureza filosófico-cultural.
O segundo complexto temático é de relevância para os estudos culturais sob a perspectiva do Brasil pela necessidade de pesquisas dos fundamentos de edifícios de imagens que expressam tensões e conflitos entre o Cristianismo e o Islão, vigentes no Brasil sobretudo em expressões tradicionais de "lutas entre Cristãos e Mouros".
Se a ilha de Chipre desempenhou importante papel no relacionamento das diferentes culturas da Antiguidade, também permaneceu um centro de encontros de culturas na Idade Média. Em estudos desenvolvidos in loco, no âmbito do programa "Oriente-Ocidente" da Academia Brasil-Europa, considerou-se em particular a ação da Ordem dos Cavaleiros de São João a partir da sua sede em Chipre, o burgo de Kolossi. Essa Ordem de defesa militar da Cristandade, após ter abandonado o Oriente, estabeleceu-se em Chipre, empreendendo a partir daqui as primeiras viagens contra os muçulmanos. A sede da Ordem foi transferida em 1310 de Chipre para Rhodos, onde passou a desenvolver a sua flota.
A viagem de estudos a Chipre deu prosseguimento a pesquisas promovidas pela Academia Brasil-Europa e realizadas em Rhodos (1985) e em Malta (1986). A história da Ordem dos Templários - de relevância para o estudo da Idade Média em Portugal - e a dos Joanitas é assim estreitamente vinculada à ilha de Chipre, em particular a Limassol.
Os fundamentos imagológicos e conceituais das expressões culturais brasileiras relacionadas com o conflito entre a Cristandade e o Islão foram considerados sob vários aspectos em diferentes seminários e sessões, por último em sessão realizada em Parati, em 2004, no âmbito do Colóquio Internacional de Estudos Interculturais.
Brasileiros residentes em Chipre, cipriotas residentes no Brasil, brasileiros de origem cipriota, cipriotas com familiares brasileiros e estudiosos em geral, cooperem com os seus conhecimentos e a sua experiência ao trabalho da A.B.E.!
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Fotos A.A.Bispo ©
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Organização de estudos teóricos de processos interculturais e estudos culturais nas relações internacionais (registrada 1968)
Academia Brasil-Europa de Ciência da Cultura e da Ciência (Estudos Culturais e Sociologia da Ciência)
Direção-geral: Prof. Dr. Antonio Alexandre Bispo

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