BRASIL-EUROPA
www.brasil-europa.eu
Organização de Estudos de Processos Culturais em Relações Internacionais (registrada em 1968)


Academia Brasil-Europa
de Ciência da Cultura e da Ciência
e institutos integrados ISMPS/IBEM

Dir. Prof. Dr. Antonio Alexandre Bispo

 
Amapa. Foto A.A.Bispo
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AMAPÁ

 



A.B.E.
Orientação: análise de processos e procedimentos refletidos, inter- e transdisciplinares


Amapa. Foto A.A.Bispo
Os trabalhos da Academia Brasil-Europa relacionados com o Amapá devem ser considerados a partir dos objetivos da entidade fundada em 1968 e que constitui hoje a Organização Brasil-Europa de estudos teóricos de processos inter- e transculturais.


O escopo do movimento então iniciado foi o da renovação dos estudos culturais, dirigindo a atenção a processos, em especial ao de difusão cultural, o que exigia a superação de delimitações disciplinares e de categorizações de objetos de estudos segundo esferas do erudito, do popular e do folclórico.


Se o Amapá tinha sido até então insuficientemente considerado na pesquisa empírica da cultura, também pouco conhecida era a sua história cultural, mesmo em meios especializados.


Um direcionamento da atenção a contextos globais deu-se com a consideração do forte de Macapá na sua inserção no sistema militar do império colonial português no âmbito de estudos da História da Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.


Para a fundamentação dos estudos relativos ao território, procedeu-se a um levantamento de fontes disponíveis a respeito da Geografia, da História e da constituição étnica da região quando da introdução da disciplina Etnomusicologia em cursos de Licenciatura da Faculdade de Música e Educação Artística do Instituto Musical de São Paulo, em 1972.


Estudos em rêdes internacionais.  Projeto Amapá-Europa "Cäsar Famin/Ferdinand Denis"


Os trabalhos desenvolvidos em bibliotecas européias a partir da segunda metade da década de 70 deram continuidade ao levantamento de fontes relevantes para a história da região e para o estudo dos grupos indígenas.


Amapa. Foto A.A.Bispo©
Com o encontro de uma publicação até então praticamente desconhecida, o relato da expedição alemã do rio Jari, de Schultz-Kampfhenkel, de 1935-37, (Rätsel der Urwaldhölle: Vorstoß in unerforschte Urwälder des Amazonenstromes, Berlin: Deutscher Verlag 1938), decidiu-se dar o nome desse pesquisador ao projeto. Entretanto, devido às circunstâncias políticas questionáveis sob as quais a expedição se realizou, a intenção foi modificada, escolhendo-se o nome de Cäsar Famin, autor de um estudo sobre as Guianas em geral, publicada em conjunto com a obra de Ferdinand Denis sôbre o Brasil,  em vários idiomas e que marcou considerávelmente a imagem da região (em alemão: Geschichte und Beschreibung von Brasilien und Guyana, Stuttgart, 1939).


Com essa escolha, procurou-se dirigir a atenção ao contexto mais amplo das relações regionais e internacionais no complexo das Guianas, determinantes para formação histórico-cultural do Amapá.


Em 1977, deu-se início aos trabalhos culturais em rêdes eclesiásticas e missionárias relativas ao Amapá através do departamento de Músico-Etnologia de instituto de pesquisas de organização pontifícia de natureza internacional. Considerou-se entre outras expressões, em especial tradições culturais de Caruaú. Essas expressões culturais foram consideradas em sessões euro-brasileiras paralelas ao Simpósio Etnomusicológico realizado em Bonn, em 1979, dedicado a questões culturais africanas.


Amapa. Foto A.A.Bispo©

Bases teóricas de interpretações adequadas de sentido de expressões culturais


Por ocasião do primeiro colóquio internacional dedicado a tradições cristãs brasileiras e sincretismo, em 1989, realizado em várias cidades e centros de estudos da religião relevantes da Alemanha, expressões culturais do Amapá foram consideradas em conjunto com tradições estudadas na ilha do Marajó e em outras regiões do Pará com base em pesquisas de campo realizadas por L. Fernando de Andrade.


No debate que se seguiu, os resultados dessas pesquisas - em particular das tradições designadas como afro-brasileiras - foram considerados à luz da discussão de métodos hermenêuticos e de resultados de pesquisas de sentido em expressões culturais em outros contextos.


Estudos de interações e mudanças culturais em grupos indígenas de fronteiras: Oiapoque


No congresso realizado no Rio de Janeiro pela passagem dos 500 anos do descobrimento da América, em 1992, deu-se início a um projeto de maiores dimensões de pesquisas de culturas indígenas sob a perspectiva dos processos transformatórios por que passam e das relações culturais entre o Amapá e a Guiana Francesa. O projeto, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, de órgãos ministeriais brasileiros, da FUNAI e de universidades,  do Brasil e do Exterior, possuiu um sentido teórico que deve ser visto à luz do movimento iniciado em 1968, ou seja, o da superação de delimitações determinadas por áreas disciplinares, entre elas da Etnologia e do Folclore.


Pesquisadores que até então se haviam dedicado sobretudo a estudos de expressões culturais da sua própria sociedade deveriam confrontar-se com grupos indígenas em situação de transformação cultural, procurando um diálogo com indígenas já formados segundo critérios da sociedade brasileira e integrando-os no estudo e no debate. O grupo de pesquisadores assim constituido foi dirigido por Julieta de Andrade, e os trabalhos foram desenvolvidos entre 1993 e 1996.


Relações com instituições e cooperações locais


Amapa. Foto A.A.Bispo©
Os trabalhos in loco foram preparados em encontros realizados, entre outros, no Instituto de Inculturação de Belém, na Fundação Nacional do Índio e em institutos de Macapá.


Nesse âmbito, desenvolveram-se também trabalhos relativos à história cultural de Macapá e redondezas, dando-se uma especial atenção à história social da música, focalizando corporações musicais nos seus vínculos com a prática de banda de música e de sua organização no Pará e na Amazônia em geral.


Em 1996, realizou-se uma segunda viagem para a intensificação de cooperações à região do Oiapoque. Os trabalhos desenvolvidos foram apresentados e comentados em sessões realizadas na Europa e no Brasil.


Estudos, seminários e exposições sôbre o Amapá na Europa


As observações e os materiais documentais levantados no Amapá forneceram subsídios a conferências, aulas, seminários e exposições na Europa. As mudanças nas culturas indígenas e suas concepções foram aqui particularmente consideradas sob a perspectiva de relações transnacionais de fronteiras e de migrações urbanas. Também a história do território e do atual Estado foi tratada de acordo com a bibliografia mais recente, sendo as fontes mais antigas reexaminadas sob questionamentos atualizados.


Contribuição do Amapá ao desenvolvimento dos estudos culturais em geral


O direcionamento da atenção à imagologia no âmbito de pesquisas relativas às festas de S. Pedro e do Toré no Oiapoque contribuiu de forma relevante à valorização de análises imagológicas no âmbito dos estudos culturais desenvolvidos pela A.B.E..


Essa expressão foi considerada no Colóquio Internacional de Antropologia Simbólica (São Paulo, 1998) e foi um dos fatores que motivou a escolha do tema "Música e Visões" para o Congresso Internacional de abertura do Triênio pelos 500 Anos do Descobrimento do Brasil, em Colonia/Bonn, em 1999.


Deve-se salientar que universitários europeus foram levados a ocupar-se com temas do Amapá em vários seminários desenvolvidos nas universidades de Bonn e Colonia, assim como em colóquios da A.B.E. Gravações com cantos indígenas foram transcritas e analisadas por mestrandos e doutorandos em Etnomusicologia, e os trabalhos foram apresentados ao vivo e em publicações.




Publicações

relacionada com os trabalhos:
(em elaboração)

J. de Andrade et alii. "Karipuna e Galibi-Marworno contam quem e como são/ Karipuna und Galibi-Marworno erzählen, wer und wie sie sind", in Die Musikkulturen der Indianer Brasiliens I, ein Projekt unter Leitung von A. A. Bispo, Musices Aptatio Liber Annuarius - 1994/95 - Jahrbuch, Roma 1997, 427-584



Cronologia
dos trabalhos


1969. São Paulo. História da Arquitetura militar no Brasil no sistema de defesa do império colonial português. Estudos na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Faculdade de História da Universidade de São Paulo.

1970. São Paulo. Expressões culturais em contextos regionais: Folclore do Amapá sob a perspectiva de processos difusivos. Centro de Pesquisas ND, Museu de Artes e Técnicas Populares/Folclore.

1973. São Paulo. Amapá na Etnomusicologia/Músico-Etnologia. Levantamento de fontes e dados.

1975. Colonia. Fontes bibliográficas e documentais sobre o Amapá em instituições européias.

1976. Colonia. Redescobrimento da Expedição Amazonas-Jari de 1935-37/Schulz-Kampfhenkel e análise crítica de concepções e inserções políticas.

1977. Maria Laach e Roma. Início dos trabalhos Europa/Amapá em instituições e rêdes eclesiásticas.

1979. Bonn. Simpósio Internacional. Renovação epistemológica dos estudos de relações entre a África e o Brasil. Debate sobre tradições de Curiaú.

1985. Roma. Fundamentos da cultura cristã no mundo extra-europeu: Norte da África no contexto global da luta contra os mouros e expressões culturais do Amapá (Magazão).

1989. Speyer, Eibingen, Maria Laach, Bonn, Colonia. Colóquio Internacional de Tradições Cristãs e Sincretismo. Sessão dedicada a tradições religiosas do Amapá.

1993. Belém. Encontro no Instituto de Inculturação. Exame de documentação gravada de atividades missionárias e de transformação de culturas indígenas do Amapá das últimas décadas como preparatória de trabalhos no Amapá.

1993. Macapá. Início oficial dos trabalhos apoiados pelo Ministério do Exterior da Alemanha e de órgãos e instituições brasileiras em colaboração com universidades e com a FUNAI. Encontros para a constatação da siituação in loco dos estudos histórico-culturais, etnológicos e da museologia. Pesquisa de rêdes e elos histórico-musicais com o Pará e outras regiões do Brasil.

1993. Curiaú. Encontro para a discussão local de trabalhos desenvolvidos na Europa.

1994. Oiapoque. Transformações de culturas indígenas em região de fronteiras. Primeira viagem de grupo de pesquisadores sob a direção de J. de Andrade no âmbito do projeto de Culturas Musicais Indígenas sob o aspecto de transformações culturais.

1995. Oiapoque. Segunda viagem do grupo de pesquisadores para a integração de indígenas nas reflexões teórico-culturais. Ato comunitário festivo em Oiapoque pelo início da cooperação.

1995. Maria Laach. Sessão Amapá para a discussão das pesquisas e das cooperações. Exposição de imagens.

1997. Montecassino, Itália. Situação dos estudos em desenvolvimento: Amapá.

1998. Lagos e Braga, Portugal, Lançamento de publicação e conferências sobre o Amapá: "Karipuna e Galibi-Morworno contam quem e como são", sob a direção de Julieta de Andrade.

1998. São Paulo. Amapá no Colóquio Internacional de Antropologia Simbólica. Mastro de São Pedro e Toré, expressões de Curiaú.

2002. Colonia. Colóquio da A.B.E. „Europa e universo sonoro indígena“. Lançamento de publicação. Pesquisadores europeus no Brasil na respecctiva inserção histórico-cultural: Amapá.

2002. Gramado/RS e Joanópolis/SP. Sessão do Congresso Internacional „Música, Projetos e Perspectivas“ dedicada a questões de transformações culturais („Tribal/Rural“). O caso do Amapá.

2002. Rio de Janeiro. Sessão no Museu de História Diplomática do Palácio do Itamaraty pelo encerramento do Triênio pelos 500 anos do Brasil. Estudos Culturais e Direitos Humanos: a experiência de pesquisa e cooperação no Amapá de J. de Andrade.




Materiais
Apenas os disponíveis nos sites da A.B.E.

(em elaboração)


  1. Seychelles, La Réunion & Brasil. „Pronto para as ilhas?“ O europeu nos trópicos e o creolo no mundo: cultura, tempo livre e escravidão em processos coloniais. Pelos 350 anos da chegada dos franceses nas Mascarenhas e 450 anos do Rio de Janeiro

  2. Arquivística e estudos creolos. Colóquio nos Arquivos Nacionais das Seychelles em Victoria, Mahé

  3. Creolofonia, Creolidade,Creolismo. A internacionalização dos estudos creolos nas suas dimensões políticas francofones e o Brasil. Da lingua ao estudo de processos culturais - uma proposta de reorientação.Visita da A.B.E. ao Lenstiti Kreol Enternational

  4. Música e dança na identidade creola: contradanças, quadrilhas, polcas e mazurcas nas Seychelles e no Brasil. Pesquisa da Música Popular em Processos Transculturais e World Music 2015

  5. Découvrez des richesses Historiques. Problemas historiográficos dos estudos culturais em mundos descobertos pelos europeus: Nova Caledonia e Amapá pelos 200 anos de Louis-Marie-François Tardy de Montravel (1811-1864)



 










Fotos A.A.Bispo.
Arquivo A.B.E.
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